Lewis Hamilton, da McLaren, venceu o Grande Prêmio da Alemanha, disputado neste domingo (20/07) no circuito de Hockenheim. Mas a maior "vitória" foi do brasileiro Nelsinho Piquet que terminou em segundo lugar, conquistando seu primeiro pódio na Fórmula 1 -- Vitória pela pressão que vinha sofrendo de parte da imprensa mundial com sua possível substituição na equipe Renault; Vitória por ter resistido à pressão do peso do nome do pai tricampeão; Vitória por ter se mantido na frente dos líderes do campeonato por várias voltas, sem cometer erros; Vitória pela estratégia de ter largado com o tanque cheio e ter feito apenas uma parada; Vitória por ter deixado Hamilton ultrapassar e garantir a segunda colocação; e sorte por ter entrado nos boxes para abastecer, logo depois do acidente do alemão Timo Glock, que bateu forte no muro, na entrada da reta principal, obrigando a entrada do safety car na pista.
Nelsinho largou da 17ª posição, sem esperanças de terminar entre os primeiros, até porque o rendimento de seu Renault é visivelmente inferior ao das Ferrari, McLaren e BMW. Mas a sorte estava do lado do brasileiro neste domingo, depois da tristeza do sábado, por não ter conseguido ficar entre os 15 primeiros para a segunda parte do treino classificatório, depois de ter sido atrapalhado pelo piloto Sebastian Vettel, da STR. Na corrida, ocupava a décima oitava posição quando entrou para o primeiro e único pit stop que faria na prova, faltando 30 voltas para o término da corrida. Momento em que o carro de segurança entrou na pista, em virtude de um acidente com Timo Glock. Com a luz verde para entrada nos boxes, a maioria dos pilotos entrou para abastecer e trocar pneus.
Piquet, que havia acabado de parar, se manteve na pista e pulou para a terceira posição, atrás de Nick Heidfeld e o líder Hamilton. Lewis, entretanto, foi obrigado a fazer seu segundo pit stop. Em seguida foi a vez de Heidfeld entrar para abastecer e trocar pneus. E assim, o filho do tricampeão Nelson Piquet assumiu a ponta e passou a fazer suas voltas mais rápidas na prova. Felipe Massa era o segundo seguido de Hamilton, que passou a "atacar" o brasileiro da Ferrari, até conseguir a ultrapassagem. Faltando 12 voltas, Lewis partiu, então, em busca do líder Nelsinho. Com o motor da McLaren "falando bem mais alto", não foi difícil alcançar a Renault do brasileiro. A nove voltas do final, e sabendo dos riscos se tentasse lutar pelo lugar mais alto do pódio, Nelsinho, inteligentemente não esboçou nenhuma reação contra o ingles, ficando muito feliz com seu primeiro pódio na categoria.
Nelsinho subiu no pódio, exatamente trinta anos depois da estréia de seu pai, o tricampeão de F1 Nelson Piquet, nesta pista, pela equipe Ensign Ford. E foi o domingo de lembranças. Há 17 anos dois brasileiros não sobem juntos no pódio. A última vez foi em 1999, no GP da Bélgica, com Ayrton Senna em primeiro e Nelson Piquet, em segundo. "Estou muito feliz. Após a classificação de ontem, achei que meu fim de semana estava acabado, mas optamos por uma estratégia agressiva para a prova e a equipe tomou excelentes decisões durante a entrada do safety car. Então, me concentrei para manter um bom ritmo e deixar os pneus em boas condições até o fim da prova. Eu sabia que o Lewis (Hamilton) estava muito mais rápido do que eu, então não quis correr nenhum risco desnecessário. O segundo lugar de hoje é uma grande recompensa para toda a equipe", comemorou Nelsinho.
Enquanto Nelsinho Piquet era só sorrisos, Felipe Massa, mesmo no pódio, não conseguiu disfarçar sua decepção por ter terminado em terceiro lugar, e vendo Hamilton sair da Alemanha com 58 pontos contra 54 do brasileiro, abrindo 4 importantíssimos pontos de Massa no campeonato. Na terceira colocação está Kimi Raikkonen, com 51 pontos. Mesmo com o apoio da familia que foi em peso para a Alemanha e com a ajuda do ex-companheiro Michael Schumacher, que esteve nos boxes da Ferrari todo o tempo, o final de semana de Massa não foi nada bom para um piloto que tem uma poderosa Ferrari nas mãos. Outro compatriota que saiu desanimado do GP da Alemanha foi Rubens Barrichello. Largou da décima oitava posição, fez outra prova apagada e quando tentou brigar por posições se deu mal. Rubinho abandonou depois de levar uma batida do escocês David "Crash" Coulthard, que cansado de tirar os adversários para fora da pista, se aposenta no final da temporada.
Falando em aposentadoria, parece que o brasileiro Rubens Barrichello, que divide curvas no automobilismo com o escocês David Coulthard desde o campeonato Inglês de Fórmula 3, quando em 1991 ficou com o título, e lá se vão 17 anos, parece que Barrichello disputará a temporada do ano que vem sem a presença de Coulthard. Segundo Ross Brawn, diretor técnico da equipe Honda, que deixou escapar no sábado, os dois pilotos do time serão mantidos na próxima temporada: Rubens Barrichello e Jenson Button. E com mais da metade das provas disputadas, começam as especulações e anúncios do "troca-troca" de pilotos e equipes.
O alemão Sebastian Vettel, por exemplo, já foi confirmado pela RBR para 2009 na vaga deixada pelo escocês Coulthard. Correm boatos, entretanto, que o brasileiro Bruno Senna ocupará seu lugar na STR, cujo proprietário é o austríaco Gerard Berger, manager do sobrinho de Ayrton Senna, trazendo de volta a disputa de dois sobrenomes famosos para a categoria: Senna e Piquet.( Nelsinho Angelo Piquet e Bruno Senna). Mas muita coisa ainda pode acontecer até o final da temporada. O próximo Grande Prêmio será disputado na Hungria, no dia 3 de agosto.
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Texto: Silvio Porto Fotos: Divulgação |
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