A Ford acertou com a nova geração do Ka, a qual chegou em fevereiro totalmente diferente da versão antiga. Não é que o desenho "New Edge" do antigo Ka fosse feio. Mas faltava espaço tanto para os passageiros do banco traseiro, quanto para a bagagem no porta-malas. O novo Ka chegou com esses problemas solucionados e agradou ao consumidor. Para se ter uma idéia, em novembro e dezemnbro de 2007 foram vendidos 2.300 e 2.200 Kas, respectivamente. O modelo ocupava no final do ano o 30º lugar no ranking dos modelos mais vendidos. Em abril deste ano, as vendas praticamente triplicaram, chegando a quase 6.400 unidades, levando o Ka para a oitava posição no ranking. Hoje é vendido em duas versões: 1.0 e 1.6, ambas Flex.
Desta vez, avaliamos por quinze dias o Ka equipado com motor 8V, de 1.6 litro que desenvolve potência máxima de 110 cavalos quando abastecido somente com álcool e 102 cavalos, com gasolina, ambos a 5.500 rpm. O torque máximo é de 15 mkgf a 2.500 com gasolina e 15,8 mkgf a 4.250 com álcool. Segundo a fabricante, o novo Ka, com essa motorização e o câmbio manual de cinco velocidades, acelera de 0 a 100 km/h em 12,4 segundos com gasolina e 11,5 segundos com álcool, e atinge a velocidade final de 174 km/h (gasolina) e 178 km/h (álcool). O consumo, de acordo com o fabricante, é bom: média de 14,2 km/l (gasolina) e 9,9 km/l (álcool).
O novo Ka é gostoso de dirigir e oferece bom desempenho. Andamos por trajetos urbanos, longos e curtos, subimos a Serra da Cantareira, pegamos estrada e descobrimos que ele é leve (942 kg), ágil, tem bom motor, bom freio, não decepciona nas subidas, tem boa retomada e responde muito bem. Segundo a Ford, o torque é bastante acentuado, mesmo em baixas rotações, o que permitiu aos engenheiros reescalonar as relações da transmissão, favorecendo a economia de combustível e a performance. Aliás, o novo Ka é bem esperto e chega a surpreender o motorista. Nas saídas, arranca bem, atingindo boa velocidade fácil, fácil. E para completar, as trocas das marchas são macias. Vale destacar que o Ka mostrou-se seguro nas curvas, com inclinação bastante limitada para um carro sem barras estabilizadoras.
Agora, embora esperto no trânsito, o consumidor precisa analisar alguns pontos antes da compra: qual a finalidade com o carro e quantas pessoas têm na família. o ka é oferecido apenas com duas portas, portanto, é ideal se a família tem duas crianças, não correm o risco de abrirem a porta do carro em movimento. Se bem que hoje, quase todos os carros vêm equipados com trava de segurança para criança. Mas no caso de esquecer... é perigoso. Agora, se essas crianças ainda ocupam cadeiras, colocá-las alí é complicado. É preciso entrar dentro do carro. Incômodo demais. Outro detalhe. O porta-malas ainda é pequeno -- 263 litros, embora muito maior que o Ka anterior (186 litros) e maior que alguns de seus adversários: Celta (260 lts), Peugeot 206 (245 lts) e Clio (255 lts). Um ponto positivo: o Ka conta com abertura elétrica do porta-malas por uma tecla no painel central.
Por outro lado, o espaço interno para os ocupantes do banco traseiro, tão criticado no Ka anterior, melhorou muito. O espaço para a cabeça está mais elevado. Há, ainda, uma boa distância para as pernas. Consequência das dimensões maiores: A nova geração mede 3,83 metros de comprimento, 1,80 metros de largura e 1,42 metros de altura contra os 3,62 m de comprimento, 1,63 m de largura e 1,36 m de altura da versão antiga. O acabamento é bom para um carro de entrada, com tecido em algumas partes das portas. Os estilistas fizeram um bom trabalho também no painel, mas o deixaram mais conservador. O antigo era mais moderno, com o formato de gota na parte central. Mas todos os instrumentos estão à mão e são de fácil visualização. Uma crítica: o extintor de incêndio está localizado muito na frente, encostando na perna do passageiro da dianteira. Se for mulher, poderá ter a meia fina desfiada.
Mas a maior mudança no Ka, aconteceu no design da parte traseira, mais alta e mais quadrada em relação ao antigo Ka, com o vidro curvo avançando pela lateral da carroceria. Os estilistas seguiram o conceito “Kinectic” com linhas mais fluidas e curvilíneas, bem diferente do conceito New Edge do antigo Ka. A tampa do porta-malas ganhou linhas mais retas e o pára-choque é integrado à carroceria. Há um vinco bem acentuado que passa pelas lanternas e tampa do porta-malas, logo acima do emblema Ka e da identificação Flex. Abaixo da placa de identificação do veículo está localizada a fechadura de abertura do porta-malas. Destaque para as lanternas, que apesar de simples, receberam um belo design. Além de contarem com um vinco cortando a parte central, as pontas saem pelas laterais, formando um bonito desenho. As lentes (vermelha e branca) parecem ter sido lapidadas. E vincos não faltam no novo Ka. Atente para outro vinco colocado logo abaixo da fechadura da tampa do porta-malas que segue até o pára-lama traseiro. Detalhes que deixaram o novo Ford mais “requintado”.
A parte dianteira também recebeu mudanças bem significativas, porém bem menores que a parte traseira. O pára-choque, pintado na cor do veículo em todas as versões, é envolvente e robusto e conta com a placa de identificação do veículo na parte central, entre a grade do radiador e a grade do pára-choque. Os estilistas capricharam também nos vincos na parte inferior dos faróis, assim como nos pára-lamas saltados. O conjunto ótico é grande e acompanha as linhas do capô e o vinco no pára-choque. Este, assim como na traseira, é pintado na cor da carroceria. Entre os faróis há a grade do radiador pintada na cor do carro também, com o emblema azul da Ford na parte central. O capô é liso e o pára-brisa amplo, oferecendo bastante visibilidade para o motorista. o Ka 1.6 vem equipado com rodas de aço estampadas aro 14 polegadas, sendo opcional a de liga leve.
Na lista dos itens opcionais há ainda, air bag para motorista e passageiro, aquecedor, ar-condicionado, conta-giros, frisos laterais na cor do veículo, vidros elétricos e maçanetas na cor da carroceria. O Ka 1.6 avaliado custa de tabela R$ 31.990 (ref. maio de 2008). Com os vidros elétricos, sobe para R$ 32.390. Se a opção for pelo pacote com vidros elétricos e ar-condicionado, o acréscimo é de R$ 1.600, ou seja, o valor sobe para R$ 33.590. Um bom custo-benefício.
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Texto: Célia Murgel Fotos: Silvio Porto |
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