A discussão sobre a redução de ruídos e emissões nos veículos vem se arrastando há anos. E não serve apenas para os automóveis. Os grandes vilões da poluição nas grandes cidades têm sido, principalmente, os caminhões. É, mas a preocupação em atender aos padrões da Nova lei de emissões de poluentes Conama Fase V (Euro III) vem fazendo com que os fabricantes produzam seus veículos comerciais com mais cuidado. Entre as empresas preocupadas com o meio ambiente está a Ford, que lançou a linha Cargo 2005 equipada com motor eletrônico, já atendendo a Norma Conama que entrará em vigor em 2006.
Mas o que significa colocar em um caminhão uma motorização eletrônica? Segundo a Ford, pelas suas características, o motor eletrônico permite menor índice de emissão de poluentes e funcionamento mais silencioso – com ruído de passagem inferior a 78 decibéis. Tudo isso sem perder no desempenho. Um bom exemplo é o Cargo C-815e da marca que proporciona boas velocidades, com ótimas arrancadas e retomadas de velocidade. Aliás, um modelo que tem seu peso bruto total de 8.250 kg e possui 7,40 metros de comprimento impressionou e muito.
Segundo a engenharia da marca, esse motor Cummins Interact 4, de gerenciamento eletrônico, desenvolvido especialmente para a Ford, é 45% mais potente e oferece 30% a mais de torque em relação à motorização convencional. O 815e é ágil no trânsito e sobe a serra sem dificuldades. Muito pelo contrário. Não temeu as subidas íngremes da Serra da Cantareira, em São Paulo. Na cidade é muito fácil de ser conduzido. Como qualquer veículo deste tamanho é preciso estar atento nas curvas e mudança de faixas nas ruas e avenidas.
Se a Ford acertou no propulsor do 815e -- um Cummins diesel turbo aftercooler que desenvolve 150 cv de potência máxima e 56 mkgf de torque máximo, com injeção eletrônica “common rail” --, não deixou por menos o interior. Ele acomoda confortavelmente motorista e dois ajudantes, porém o cinto de segurança dos passageiros poderia ser melhorado. Ele é muito incômodo e parece bem inseguro. Mas outros itens surpreendem e fazem parte da lista dos equipamentos de série como a direção hidráulica, o piloto automático, o ar-condicionado, o acelerador eletrônico “drive-by-wire”, além dos 26 indicadores de advertência no painel.
Como aconteceu com outros modelos de caminhões que dirigi, parece que os homens ainda não se acostumaram com as mulheres na direção dos veículos desse segmento. Observam-me com curiosidade. Eu que já estou me acostumando com as feições de surpresa deles. Dois pontos a ressaltar: falta o espelho no quebra-sol (tenho certeza que as motoristas de caminhões concordam comigo) e o vidro na parte inferior da porta é meio incômodo, principalmente para mim, acostumada a dirigir o caminhão de saia. Um belo modelo, que cumpre seus objetivos: de ser confortável, ágil no trânsito, fácil de dirigir, e com preço acessível – cerca de R$ 94 mil.
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Texto: Célia Murgel Fotos: Silvio Porto |
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