Home » Cotidiano » Carlos Ghosn é preso antes de transformar o Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi em um dos maiores do mundo.

Carlos Ghosn é preso antes de transformar o Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi em um dos maiores do mundo.

O brasileiro Carlos Ghosn, CEO da Renault e da Aliança Renault-Nissan, além de presidente do conselho consultivo na Nissan, foi detido no Japão nesta segunda-feira (19/11), acusado de sonegação e fraude fiscal. De acordo com as autoridades japonesas, Ghosn deixou de declarar mais de 5 bilhões de ienes (cerca de R$ 168 milhões) de seu pagamento como presidente da Nissan. Cargo que deixou em agosto último. De acordo com informações, as fraudes fiscais ocorreram durante 5 anos, entre 2010 e 2015.

A Nissan divulgou em nota que, baseada em denúncias, já estava conduzindo uma auditoria interna e investigando há meses os problemas de conduta envolvendo Ghosn e outro diretor da empresa, Greg Kelly. Se a sonegação e a fraude fiscal forem confirmadas, e Ghosn considerado culpado, poderá pagar 10 milhões de ienes (cerca de R$ 335 mil) em multa e cumprir até dez anos de prisão no Japão.

Hiroto Saikawa, principal executivo e único “sobrevivente” dos três principais executivos da empresa, em coletiva realizada, confirmou que Ghosn e Greg Kelly haviam sido presos e se desculpou com acionistas e funcionários pela conduta do presidente. “Muita autoridade foi dada a uma pessoa em termos de governança. Eu tenho que dizer que este é um lado escuro da era Ghosn, que durou muito tempo. Além de lamentar, sinto muita decepção, frustração, desespero, indignação e ressentimento”, comentou Saikawa.

O conselho administrativo da Nissan vota nesta quinta-feira (22/11) a destituição de Carlos Ghosn do cargo, e a Mitsubishi Motors anunciou uma decisão parecida. Já o conselho da Renault está mais cuidadoso. Afastará temporariamente o executivo, pois não há provas confirmadas. O governo francês, que detém 15% das ações da Renault, pediu que seja nomeada uma direção interina de gerenciamento enquanto não termina o caso, alegando que Gohsn não está em condições de dirigir a companhia.

O governo informou, ainda, que depois de profunda análise, não identificou nenhuma fraude fiscal do executivo no país. E parece que deu um “recado” para as autoridades japonesas ao dizer que a parceria da Renault com a Nissan era do interesse da França e do Japão, e de ambas as empresas. A notícia da prisão de Carlos Ghosn mexeu com o mercado de ações: as da Renault caíram 2 por cento, as da Nissan fecharam em baixo de 5,45 por cento e as da Mitsubishi caíram 7 por cento.

Silvio Porto

Silvio Porto é um jornalista que estreou na extinta Revista Afinal como repórter fotográfico, passou pelas Revistas Placar e Quatro Rodas onde conquistou prêmios importantes. Viajou pelo mundo cobrindo futebol, os principais salões do automóvel (Paris, Frankfurt, Detroit e São Paulo), além de Fórmula 1 e os lançamentos de carros e motos. Fez parte do quadro de jurados do Prêmio “Carro do Ano”, da Revista Auto Esporte e há oito anos é um dos jurados do Prêmio Imprensa Automotiva realizado pela Abiauto – Associação Brasileira da Imprensa Automotiva. Hoje é diretor e editor do Portal MotorCar (www.motorcar.com.br) e do Blog do Silvio Porto (www.silvioporto.com.br).

Similar posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UA-58373095-2