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Presidente da GM diz que está fazendo acordos para manter a montadora no Brasil.

Depois de distribuir informe a cada trabalhador anunciando que a General Motors pretendia sair do Brasil, o presidente da empresa, Carlos Zarlenga, informou que as negociações com funcionários, fornecedores, concessionários e governos para atrair novos projetos estão dando certo. Segundo ele, se for aprovado um acordo de redução de custos, a matriz deverá aprovar um plano de investimentos de R$ 10 bilhões para fábricas locais.

De acordo com Zarlenga, hoje, a maioria das montadoras está perdendo dinheiro e as que não estão no prejuízo estão longe de ter um retorno razoável para os investimentos que fizeram. Além disso, quando a comunidade de investidores questiona a presidente global, ela vai dizer que vai investir se tiver oportunidades de retorno. Disse, ainda, que sem investimentos, a situação da GM vai ficar complicada.

Entre os problemas apontados por Zarlenga para o prejuízo no Brasil está a taxa de importação de 35%, e por isso é preciso investir aqui para produzir para o mercado local. A escolha é participar ou não do mercado. Já quando o programa é exportar, a empresa compete com o resto do mundo para receber o investimento. Outro ponto negativo é que 45% da receita de uma montadora são impostos e taxas diretas e indiretas.

Zarlenga deu um exemplo de valores: O Cruze custa US$ 24,3 mil nos Estados Unidos e US$ 32 mil no Brasil. Se tirar os impostos, vai custar US$ 22,6 mil lá e US$ 20,8 mil aqui. “Queremos inserir o Brasil no mundo e para isso temos de tirar as proteções do mercado. A abertura comercial seria ótima, pois nos daria oportunidade de exportar.

A GM no Brasil precisa cortar custos e já está no caminho. Os funcionários da fábrica em São José dos Campos onde são produzidos os utilitários S10 e Trailblazer aceitaram a proposta feita pela empresa para manter as operações da unidade. Entre os itens do acordo está o congelamento de salários e bônus de R$ 2500 em 2019, fim da estabilidade, redução no pagamento de adicional noturno e diminuição no piso salarial de R$ 2.300 para R$ 1.700 para novos funcionários. Fim da estabilidade? Então, a empresa pode demitir os salários mais altos e contratar com o piso salarial menor.

Os concessionários entenderam a situação da GM Brasil e aprovaram o acordo. Com os fornecedores estão trabalhando com redução de custos. Quanto ao governo, os estão mantendo informados, mas segundo Zarlenga ainda não foi feito nenhum pedido por parte da montadora. É aguardar para ver se foi um blefe para conseguir os acordos, ou se realmente está em situação complicada e tinha realmente pensado em sair do Brasil depois de tantos anos.

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Silvio Porto

Silvio Porto é um jornalista que estreou na extinta Revista Afinal como repórter fotográfico, passou pelas Revistas Placar e Quatro Rodas onde conquistou prêmios importantes. Viajou pelo mundo cobrindo futebol, os principais salões do automóvel (Paris, Frankfurt, Detroit e São Paulo), além de Fórmula 1 e os lançamentos de carros e motos. Fez parte do quadro de jurados do Prêmio “Carro do Ano”, da Revista Auto Esporte e há oito anos é um dos jurados do Prêmio Imprensa Automotiva realizado pela Abiauto – Associação Brasileira da Imprensa Automotiva. Hoje é diretor e editor do Portal MotorCar (www.motorcar.com.br) e do Blog do Silvio Porto (www.silvioporto.com.br).